Saiba como compor para a Colibris

REGRAS DO CONCURSO DE SAMBA-ENREDO DA COLIBRIS

– O compositor pode enviar quantos sambas quiser, seja solo ou com parceria;

– A gravação pode ser à capella (só com voz) ou com bateria de fundo;

– A Colibris recomenda um samba emocionante, e ao mesmo tempo valente. No entanto, o compositor tem toda a liberdade para construir sua obra, ao seu estilo;

– Os sambas devem ser enviados em mp3 ou wma para murilo_sousa@msn.com. Qualquer dúvida, entrar em contato com o presidente Murilo Sousa, o enredista Marco Maciel ou o carnavalesco Matheus Schappo. A página da escola no Facebook também está à disposição;

– A escola recebe sambas até às 23h59min do dia 14 de fevereiro de 2016.

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E NO ABC DO SANTEIRO, O QUE DIZ A COLIBRIS?

 

E o mito prevalece sobre a realidade… 

Por que que a cara feroz da mentira

Nos pode trazer tanta felicidade?

Por que que na hora da grande verdade

Às vezes o povo se esconde, se esquece?

Quando a mentira nos ilude diante da realidade muitas vezes tristonha, o povo faz questão de se esconder, de apagar qualquer resquício daquilo que é fato, para viver sua quimera, seu sonho. Muitas vezes a verdade é inimiga, bem como a mentira é aliada. É um eterno jogo de esconde-esconde, em que tudo se esconderá.

A liberdade de expressão era amordaçada nos nebulosos anos de chumbo. Para fugir da perseguição dos militares, Dias Gomes direciona sua crítica teatral à Segunda Guerra Mundial, ainda não tão distante naquele tempo. No front, um cabo chamado Jorge desaparece no meio das linhas inimigas e é dado como morto. É tratado como mártir na sua terra, “o berço do herói”.

No entanto, Cabo Jorge – na verdade um desertor do combate – volta à cidade natal vivo, para desespero dos poderosos que lucravam com seu desaparecimento. Devido ao conteúdo subversivo, a peça é censurada. Então o dramaturgo tenta reeditar a obra como telenovela em 1975, com as devidas adaptações. Mas no dia da estreia, a produção recebe o fatídico veto.

Após a covarde censura de dez anos antes, um novo tempo surge. A Nova República aflora a euforia do povo com a abertura política. Naquele 1985 em que a esperança renasce, enfim “Roque Santeiro” vai ao ar, num êxito sem precedentes da televisão brasileira, um marco na história da teledramaturgia.

Dizem que Roque Santeiro

Um homem debaixo de um santo

Ficou defendendo seu canto e morreu

As ações se passam na interiorana Asa Branca, microcosmo brasileiro, a terra do mártir que está vivo e da viúva que era sem nunca ter sido. Sob os acordes do cego Jeremias, sedento por esmolas na frente da Igreja da Praça da Matriz, é narrado melodicamente o duelo que não aconteceu.

E no ABC do Santeiro, o que diz o A? Que diz o A?

O A diz adeus à Matriz, o que faz com que todos acreditem que apenas aquele jovem coroinha e artesão de santos de barro estivesse encorajado a defender a cidade do temido bandido Navalhada.

O que diz o B? Que diz o B?

O B é a batalha de morte. Roque teria tombado ao ser almejado pelos criminosos, que jogaram seu corpo na lama do rio corrente. Logo depois, uma menina afirma ter uma visão do falecido, que diz que a tal lama cura doenças. Nasce então o mito!

O que diz o C? Que diz o C? 

Coitado do povo infeliz. Que disfarça as mazelas com a fé diante da mentira. Uma romaria para um santo que de santo não tinha nada. Porque o povo carente precisa de heróis. História que pode render até um filme. Uma falcatrua que significa lucros para os poderosos de Asa Branca. Tô certo ou tô errado?

Sinhozinho Malta é o mandachuva daquele lugar que exala brasilidade, ao mesmo tempo em que cultiva um romance com a fogosa Porcina, de maneira a convencê-la a se tornar viúva do “santeiro” que todos julgam morto, mesmo sem nunca ela o ter conhecido, a fim de lhe transmitir influência, riqueza e poder. Dona dos seus ideais!

Impérios de um lobisomem

Que fosse um homem

De uma menina tão desgarrada

Desamparada, seu professor

Enquanto isso, para desespero das beatas do lugar, a boate Sexus promete abalar a moral e os bons costumes da pacata Asa Branca com a sensualidade noturna de suas dançarinas. Mas nas noites de lua cheia, um lobisomem pode estar à solta. Pelas ruas ou pelos arredores do cemitério. Na luz do dia, um professor…

Mas sei que ele é vivente

E abençoa o povo crente

Até quem não lhe socorreu

Era para ser mais um dia de devoção e romaria… Mas não seria uma data qualquer. 17 anos depois, Luiz Roque Duarte, o santeiro milagroso e tão reverenciado pela ingênua população, reaparece numa noite chuvosa… vivo. De volta ao seu aconchego, trazendo na mala bastante saudade. Roque, que na verdade havia rodado o mundo após partilhar o roubo da cidade com Navalhada, resolve se redimir dos pecados, em busca do perdão de Padre Hipólito, de quem foi coroinha.

Paira no ar uma ameaça aos interesses de quem fatura e tira proveito da mentira. Nesse eterno jogo do esconde-esconde, a verdade vale a pena? Não para Sinhozinho Malta e seus comparsas, que levam a sério o referido jogo e escondem o “carcará sanguinolento” da população, além de desejarem eliminá-lo.

Para o vaqueiro Salustiano, pai de Roque, que se tornou o Beato Salu logo após a morte do filho, o demônio se apoderou do corpo do santeiro. Sinhozinho tenta tirar a sua vida, já que o rezadeiro viu quem não poderia ver. Mas ao despertar, brada para o Brasil ouvir: “Mais fortes são os poderes de Deus!”. Os romeiros, que já choravam sua passagem, creditam a “ressurreição” do Beato a mais um milagre na conta de Roque. Não adianta… o mito é mais forte que a verdade.

Ainda recluso, Roque se envolve amorosamente com Porcina, para a ira de Sinhozinho, que amarga a farsa que inventou se tornando realidade. Mas um reencontro com o passado selará o destino do falso santo. Após sair da prisão, Navalhada retorna a Asa Branca convertido, também suplicando por perdão e cultuando a figura de Roque Santeiro, mas com a missão de eliminar o demônio que ameaça a cidade. Roque-santo tem que vencer Roque-demônio. O bandido precisa acabar com Roque, pra expulsar o Satanás de seu corpo. No encontro de ambos na frente da Igreja da Matriz, Navalhada é baleado e morto.

Se sentindo culpado com o fracasso na tentativa de redenção pessoal e ciente que apenas semeou desgraças ao invés de sorrisos sinceros e abraços, Roque decide deixar Asa Branca. Porcina está disposta a partir com o santeiro. Porém, na hora do avião decolar, o coração da “viúva” opta por Sinhozinho. O falso santo ganha os céus sob os olhares radiantes de Porcina e Malta no solo, eternizando o enlace.

Naquele mesmo instante, Asa Branca desperta com mais uma canção do Cego Jeremias para os milhares de turistas e romeiros que tomam a Praça da Matriz.

Deus disse a Roque Santeiro

Diante de todos os santos

Você, filho meu, pode à terra descer

Assim foi que Roque Santeiro

No corpo mortal e humano

Desceu pra ganhar ou perder

 

Assim foi que Roque Santeiro

Um homem debaixo de um santo

Lutou protegendo seu canto e venceu

Depois numa barca luzente

No rastro do cometa errante

Voltou pra perto de Deus

 

Presidente e Intérprete: Murilo Sousa

Carnavalesco: Mateus Schappo

Texto e autor do Enredo: Marco Maciel

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