A Acadêmicos da Coruja irá “Salvar o Fogo” no Carnaval Virtual 2024

Nome da Escola:GRESV Acadêmicos da Coruja
Data de Fundação:03/03/2021
Cidade/Estado:Campo Grande/RJ
Símbolo da Escola:Coruja
Cores da Escola:Azul e Branco
Instagram da Escola:@academicosdacoruja
Nome do Presidente:Wendel Lucas
WhatsApp para Contato:21977227872
Nome do Carnavalesco:Rodry Gonçalves
Intérprete:Dudah Maciel
Outros Integrantes:Erick Silva (Diretor Executivo)
Henry Bernardo e Ítalo Silva (Conselheiros)
Fabinho Rodrigues (Presidente da Ala de Composição)
Enredo:Salvar o Fogo
Autor do Enredo:Rodry Gonçalves

SINOPSE DE ENREDO 2024

GRESV ACADÊMICOS DA CORUJA

AUTOR DO ENREDO: RODRY BARBOZA

SALVAR O FOGO

* Texto de enredo para ser lido “sereno”, entornado de penas de coruja, ao som do canto da aldeia, de preferência com uma fogueira em chamas, evocando os nossos antigos fogaréus.

“Com seus olhos no horizonte
uma sombra surge ao longe
sobre a lua na clareira essa sombra que vagueia”

(Amor Perdido-autor desconhecido)

“Vocês podem até me arrancar dela como

uma erva ruim, mas nunca

irão arrancar a terra de mim.”

(Itamar Vieira Júnior )

“A tristeza inteira era o fogo”

(Simone Schwarz-Bart)

  1. Clareia.

Universo cósmico de terra, toco e barranco… As noites sem fim da Tapera, já dizia Itamar Vieira, sobre a terra há de viver sempre o mais forte. Faísca, feitiço, praga ruim. Olhos pretos de carvão! Rede que balançava a Lua nas luzes do mosteiro. Asas e penas. Bato voo, bico em direção ao futuro. Convoco toda a aldeia, venho em todas as penas. Venho na pena da coruja-preta. Corujinha do mato me visto. Venho nas penas da coruja-diabo, coruja suindara, coruja das neves, murucututu. Venho nas penas da caburé, jacurutu, coruja-buraqueira, mocho-dos banhados, coruja-orelhuda, coruja boreal, coruja mascarada.

2. As cores da lua que nos envolvem!

Chegamos as terras do Paraguaçu. A vendedora de caju e as marisqueiras estavam por ali pernoitando, vendendo as sobras da colheita para os viajantes em pequenos tabuleiros. Olhos pretos! A lua me convidou a deixar a casa, de cima de um toco queimado, vi a criança nascer de dentro das águas. No clarear da noite, vi Luzia querer deixar a criança na correnteza. Deixar que a levasse para bem longe da tapera, que as matas se encarregassem do resto. Logo sua irmã o pegou o menino e levou para casa. De quebra, sua mãe já sabia do acontecimento. Para que a tapera não soubesse do acontecimento, fez do filho de Luzia o seu filho, e deu o nome de Moisés. Ventou! A garra guerreira gritou. A rasga mortalha pousou. Vejo da janela Luzia com o vestido abaixado, dando os pingos de leite que restavam em seus peitos carnudos. Logo se deparou com um pássaro na janela, não sabia o nome, mas se misturava olho preto, renda, fogo e lavareda. Tramas. Constelações de faísca. Os homens\Pai da tapera, que diziam que: se sua filha engravidasse antes da hora, poderia desonrar à família. E por terem essas crenças, as matas eram cheias de anjinhos perdidos. Vagando suas almas, a procura de uma mãe terra.

3. Fogo, visões e galáxia: ardente

Moisés, malandro e arteiro, abraçou o fuzuê das ruas – e no frenesi das brigas com sua “irmã” causou o maior dos espantos. A chama ardeu! Deuses do fogaréu vieram e se vestiram de faíscas. Ventos reinavam na tapera. Qual não foi o bafafá quando ousou de atear fogo em casa? Como forma de castigo para Luzia, foi um bafafá, bafão, bafo de fogo. Até ver Luzia engoli-lo como se quisesse guardá-lo dentro de si. Boca de fogo. Mosteiro, igreja. Se passaram semanas, o fogo voltou! Luzia era lavadora das roupas do mosteiro, trabalhava para os padres, por azar, no dia que foi levar as roupas limpas, a igreja foi lançada ao fogo. Feiticeira, macumbeira. Foi taxada das coisas ruins do mundo. O mal encarnado no corpo de uma mulher, que cada dia e ano que passava sua corcunda aparecia. E por falar em fogo, morte do seu pai ninguém sabia como foi, só foi encontrado em um canavial em chamas. Que logo em seguida começaram a reunir a família para o fim dos seus dias. Nessa época Moisés já tinha fugido para a cidade com o dinheiro guardado por Luzia.

De casco em movimento, com os animais da tapera, despertou de carros e ruídos um formigueiro humano, derramaram em seu corpo, o medo e a inquietação de compreender as engrenagens do lugar, onde agora era sua morada. A cidade era uma imensa casa de cupim. Assim guardou a imagem da sua chegada dos primeiros anos de vida na grande aldeia consumida pela multidão. Iria para a biblioteca para não atrapalhar Jandira-esposa do seu irmão Joaquim, nas tarefas de casa, já que ela não gostava muito de dele. Os empregos demoraram bater na porta, até que conseguiu fincar suas habilidades como embalador no mercado do outro bairro, já que na tapera você só viraria padre ou lavrador.

4. Ponto encarnado!

O tempo que pinta as folhas retorce os mitos da antiga Tapera, tramas a ser retorcida. Feitiços se fazem memórias e viram histórias rupestres, atravessando tudo, na gira, no cruzo do ponto de maria cabocla, ponta de flecha, ponta de dente de cascavel. Encantarias! Tudo se finca e funde nas matas. Vem araras, carcarás, sabiá, galos-da-serra. Maritacas vira pena e se fisga a cocas. Ao entrar na mata fechada, mata encardida, mata matada, mata verde, mata escura de feitiço. Acenda um cigarro antes de entrar! Arvorejada de pano branco, enrolada ao Loco (como era chamada a árvore sagrada) e vários golpes de facão escorria o leite sagrada, na qual curaria o dente furada: ou quem sabe acabaria com a corcunda.

Ritual. Despuseram se jogada aos pês das árvores, até ser acordada com a luz do sol esquentando o seu rosto engordurado.

Baleia que rodopia no imaginário do seu sonho, projeto de corpos mortos (culpas, medos, grilhões, carcaças, escravos disfarçados de libertos). Padre querendo ser rei! Fome, cada vez mais fome! As raízes são fios elétricos ligados ao passado, que nunca foi distante. Flechas. Ponta de ferro. Evoca os padres profetas do caos. As vozes da igreja estavam escondidas atrás de imagens de barro, a derrubada escravidão, o avesso do manto de nossa senhora, as aparições dos bem trabalhados, remendos-retalhos em cima de crânio cósmico, o eterno retorno das jangadas, o espanto ao Deus, por que a igreja faria isso? Ao ver Luzia em busca de Moises nas escondidas das entradas do mosteiro. Se ver diante de vozes escondias, inundadas pelas águas do Paraguaçu. Mazelas. Às margens da alegria lá fora, não mostrava as carcaças aqui escondidas. Cantarolando ao cheiro de sangue. Saudando os cometas da escravidão e as faíscas que alastrava as estrelas.

5. Escureceu!

Abelhas tecelão o manto sagrado no solo, para adiar o fim da tapera. (RE)criação. O vento que corta, ranca! O cauim tomado, ensurdece. Nas folhas não amassadas, Luzia ecoou encantada – e pode ser redesenhado, fogueira na mata; e pode ser reinventada, enfim lavareda. Na batida dos tambores a maloca de pedra e criada! Fitas, penas e franjas balançam, ao ser criada pelas mãos de luzia. Te pinto de Grafismos e pena, enquanto a lua não chegar abrindo os caminhos. Nasci do encontro de luta, com a mentira encarnada e a corcunda tampada. São negras histórias marcadas nos pés do nosso passado – e que num presente tão duro foi guarda em segredo o filho da boca de fogo, da mandingueira. Moisés.

Não quebram! Vista! Se-agasalhe. Se cubra de pena. Vibra novamente o couro e as penas do manto Tupinambá! A corcunda sumiu!

Ao levantar os braços se tornou um

grande pássaro vindo do mundo dos mortos com seus

olhos tinto de fogo que a vida lhe deu. Amém.

Referência Bibliográficas:

https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2023/04/21/interna_cultura,1484173/itamar-vieira-junior-lanca-salvar-o-fogo-seu-terceiro-livro.shtml

http://www.avesderapinabrasil.com/materias/corujas_crendices.htm

https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/07/02/em-passeio-pelo-reconcavo-baiano-itamar-vieira-junior-fala-das-origens-de-personagens-de-salvar-o-fogo.ghtml

Regras do Concurso:– O compositor pode enviar quantos sambas quiser
– Os sambas podem ser enviados em solo ou em parceria
– Áudio do Samba: Não é necessário enviar duas passadas do samba
– Formato de recebimento dos sambas: Os sambas (letra e áudio) devem ser enviados via Whatsapp (21 97722-7872)
– Prazo final para recebimento dos sambas: 21/04/2023
– Qualquer dúvida podem entrar em contato conosco via Whatsapp ou através do nosso Instagram (@academicosdacoruja)
– Sejam criativos compondo e divirtam-se
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