A Primeira noite do Grupo Especial da LIESV reúne história, resistência, literatura e grandes homenagens, neste carnaval 2026.

Agremiações que abrilhantaram a primeria noite de desfiles do grupo especial, carnaval virtual 2026.

A noite desta sexta-feira foi marcada pela abertura dos desfiles do Grupo Especial do Carnaval Virtual LIESV 2026. Ao todo, dez agremiações participaram da primeira noite, sendo duas escolas convidadas e oito concorrentes ao título de campeã do Grupo Especial.

Com apresentação de Jaime Cezário e comentários de Thiago Morganti, a noite reuniu diferentes propostas narrativas, passando pela literatura brasileira, grandes personagens da cultura nacional, religiosidade, ancestralidade, memória, história, identidade cultural e a própria passagem do tempo.

Entre fantasias, alegorias, sambas de enredo e propostas visuais cuidadosamente elaboradas, as agremiações apresentaram trabalhos que buscaram explorar diferentes possibilidades da linguagem do Carnaval Virtual.

Ordem dos Desfiles

  • Dona Carmem (Convidada)
  • Imperatriz Paulista (Convidada)
  • Comigo Ninguém Pode
  • Santa Cruz Imperial
  • União de Niterói
  • Floripa do Samba
  • Caprichosos da Harmonia
  • Águia Imperial
  • Ases Imperial
  • Imperiais do Samba

Dona Carmem abre a noite com uma viagem pela literatura brasileira

A primeira agremiação a desfilar foi a convidada Dona Carmem, que apresentou o enredo “Dona Carmem conta a história da literatura brasileira”, uma reedição de trabalho apresentado originalmente no Carnaval de 2020 pela Liga Carnaval e Arte.

Enredo apresentado na Carnaval & Arte em 2020.

A proposta conduziu o público por uma viagem lúdica pela formação da literatura brasileira, partindo das primeiras manifestações literárias associadas ao período colonial e avançando por diferentes escolas, movimentos e períodos que ajudaram a construir a identidade literária do país.

A narrativa percorreu o Brasil do século XVI, o Romantismo, o Realismo, o Parnasianismo, a literatura de cordel, o Pré-Modernismo, o Modernismo e a produção contemporânea, estabelecendo conexões entre diferentes momentos da história cultural brasileira.

O grande conceito apresentado pela agremiação foi o de uma história sem fim. O livro da vida permanece aberto e, enquanto existir humanidade, sempre haverá novas experiências, pensamentos, sentimentos e histórias a serem registradas.

A Dona Carmem apostou, portanto, em um desfile marcado pela valorização da palavra e da criação artística. O resultado foi uma apresentação de forte caráter simbólico, que transformou a literatura em matéria-prima para fantasias, alegorias e imagens capazes de representar diferentes capítulos da trajetória cultural brasileira.

Imperatriz Paulista revive um clássico de Júlio Verne

Na sequência, a Imperatriz Paulista, tricampeã do Carnaval Virtual da LIESV, apresentou um dos trabalhos que marcou a história da liga em seu ano: “Delírios de Verne: da França à Amazônia, viagens fantásticas pelos caminhos da imaginação”.

Imperatriz Paulista, desfile marcante na LIESV.

A agremiação embarcou no universo fantástico de Júlio Verne, escritor que transformou a imaginação em aventura e levou gerações de leitores a mundos extraordinários, antecipando em suas obras descobertas e invenções que, à época, pareciam impossíveis.

O desfile revisitou algumas das principais obras de Verne, entre elas “Cinco Semanas em um Balão”, “Viagem ao Centro da Terra”, “Da Terra à Lua”, “Vinte Mil Léguas Submarinas”, “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias” e “A Ilha Misteriosa”, entre outras referências da produção literária do autor.

A proposta permitiu que a Imperatriz Paulista explorasse diferentes ambientes e aventuras, construindo uma apresentação visualmente rica e marcada pela fantasia e pelo espírito de descoberta.

O trabalho também carregou um forte componente de memória. O enredo foi apresentado pela agremiação em 2007, quando a Imperatriz Paulista conquistou o título no Carnaval Virtual da LIESV. Como desfile convidado este ano, proporcionou ao público a oportunidade de reencontrar um desfile que faz parte da história da Liga. Para quem viver, reviver e quem não viveu, viver.

O samba de enredo defendido por Anderson Paz, contribuiu para essa atmosfera de nostalgia e reconhecimento, reforçando a ligação entre o trabalho apresentado no passado e sua nova passagem pelo Carnaval Virtual.

Vale lembrar: no Carnaval Virtual da LIESV do ano passado, a União Imperial de Sepetiba apresentou uma releitura desse mesmo clássico no Grupo Especial. A agremiação utilizou o samba originalmente associado ao enredo, com apenas uma pequena alteração. Por isso, para quem acompanhou o desfile da União Imperial de Sepetiba em 2025, a apresentação da Imperatriz Paulista trouxe uma imediata sensação de familiaridade.

Comigo Ninguém Pode estreia no Grupo Especial exaltando ancestralidade e espiritualidade

Encerrada a participação das convidadas, teve início a disputa oficial pelo título do Carnaval Virtual 2026 do Grupo Especial.

A primeira concorrente foi a Comigo Ninguém Pode, agremiação promovida do Grupo de Acesso em 2025 após terminar entre as quatro escolas que garantiram o acesso à elite.

Ancestralidade e Espiritualidade, marcaram a estreia da Comigo Ninguém Pode no grupo especial.

Em sua estreia no Grupo Especial, a escola apresentou “Pai Cipriano das Almas, Pai Onofre do Cruzeiro e Pai Xangozinho das Almas – o alento do povo, a luz da esperança”.

A narrativa foi construída a partir da espiritualidade, da resistência e da ancestralidade afro-brasileira. O desfile partiu da África ancestral, destacando a relação com a terra, a fé e os saberes tradicionais, até chegar ao período da diáspora africana e à experiência dolorosa da escravidão e da travessia forçada pelo oceano.

A escola construiu uma leitura simbólica na qual o sofrimento não representa apenas dor, mas também transformação, aprendizado e resistência. A fé aparece como instrumento de continuidade e como força capaz de preservar identidades e tradições diante das adversidades.

Nesse percurso, ganharam destaque Pai Cipriano das Almas, Pai Onofre do Cruzeiro das Almas e Pai Xangozinho da Justiça, apresentados como figuras de proteção, orientação, sabedoria e esperança.

Os pretos-velhos também ocuparam posição central na narrativa, representados como figuras associadas à cura, ao acolhimento, à experiência e à orientação espiritual.

Elementos como velas, ervas, atabaques e a ambientação dos terreiros contribuíram para reforçar o caráter ritualístico da apresentação, criando uma atmosfera de forte dimensão simbólica.

Em sua primeira participação no Grupo Especial, a Comigo Ninguém Pode apresentou uma proposta visual de grande porte e demonstrou disposição para ocupar a elite do Carnaval Virtual com uma identidade própria.

Santa Cruz Imperial leva Santa Sara de Kali para a avenida virtual

A Santa Cruz Imperial foi a quarta agremiação da noite e apresentou o enredo “Optchá, Santa Sara! A Kali do povo cigano”, dedicado à trajetória de Santa Sara de Kali, reconhecida como padroeira do povo cigano.

A escola utilizou histórias e tradições orais para reconstruir a trajetória da personagem, estabelecendo uma narrativa que passa por suas origens, sua conexão com a vida nômade, sua aproximação com os ensinamentos cristãos e a posterior travessia pelo Mediterrâneo.

Santa Sara de Kali, tema da Santa Cruz Imperial.

O desfile também apresentou o encontro de Sara com o povo cigano na Gália, momento a partir do qual ela passa a ser reconhecida como liderança espiritual.

A cultura cigana esteve presente em diferentes elementos da apresentação, com destaque para a música, a dança, os rituais, a espiritualidade e a simbologia da fogueira.

A narrativa também trouxe à discussão os processos históricos de marginalização enfrentados pelo povo cigano, contrapondo essas experiências à valorização de sua identidade, de seus costumes e de sua permanência cultural.

Santa Sara foi apresentada como eixo central de uma história que envolve acolhimento, força espiritual, devoção e continuidade. A consagração da santa e a permanência de sua devoção popular ao longo das gerações completaram a construção do enredo.

A Santa Cruz Imperial conseguiu, dessa maneira, aproximar história, religiosidade e cultura, utilizando o Carnaval Virtual como espaço para apresentar e valorizar uma tradição cultural marcada por séculos de deslocamentos, resistência e preservação da identidade.

União de Niterói celebra a história da Cidade Sorriso

Representando a cidade que dá nome à agremiação, a União de Niterói apresentou “Nikity: a Cidade Sorriso”, realizando uma verdadeira viagem pela história, pela cultura e pela identidade do município.

A narrativa teve início com Arariboia, liderança indígena associada à fundação da antiga Vila Real da Praia Grande, origem histórica do município de Niterói.

Niterói tema-enredo da União de Niterói.

A presença de Arariboia estabeleceu o ponto de partida para uma narrativa construída sobre pertencimento, coragem e transformação. A partir daí, a escola percorreu diferentes momentos da formação e modernização da cidade, destacando sua diversidade cultural, religiosa e espiritual.

A apresentação também valorizou o patrimônio visual de Niterói. Entre os cartões-postais representados esteve o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, projetado por Oscar Niemeyer, além das paisagens de Itacoatiara e do Parque da Cidade.

A tradição carnavalesca do município também ganhou espaço. A escola fez referência às agremiações ligadas à história do samba niteroiense, como Acadêmicos do Cubango, Unidos do Viradouro e a própria União de Niterói, representante do Carnaval Virtual.

O desfile conseguiu transformar a história de Niterói em uma narrativa visual, articulando passado e presente e mostrando como a cidade foi construída a partir do encontro entre diferentes povos, culturas, manifestações religiosas e expressões artísticas.

O resultado foi uma apresentação de acabamento cuidadoso, com movimentação e elementos visuais que contribuíram para uma leitura dinâmica do enredo.

Floripa do Samba celebra 100 anos da Ponte Hercílio Luz

Na sequência, a Floripa do Samba apresentou “O Despontar da Ponte Hercílio Luz: entre marés, travessias e memórias”, uma homenagem ao centenário de um dos maiores símbolos de Florianópolis.

A Ponte Hercílio Luz, presente inclusive no pavilhão da agremiação, foi apresentada como muito mais do que uma estrutura de engenharia. Conhecida como Dama de Ferro, tornou-se elemento fundamental da identidade e do imaginário coletivo da capital catarinense.

O Centenário da Dama de Ferro de Florianópolis.

O enredo encontrou no personagem de um pescador o fio condutor da narrativa. Por meio de suas memórias, o desfile estabeleceu uma ligação entre passado, presente e futuro.

A Floripa do Samba revisitou o imaginário folclórico da ilha, trazendo bruxas, seres encantados e outras figuras associadas às tradições locais, além de retratar o cotidiano das comunidades e sua relação histórica com o mar.

A construção da ponte no início do século XX também recebeu destaque. A estrutura representou um importante processo de integração entre a ilha e o continente e acompanhou a transformação urbana de Florianópolis.

Ao longo do desfile, a Ponte Hercílio Luz apareceu como testemunha das mudanças da cidade e como elemento capaz de conectar diferentes gerações.

A Floripa do Samba apresentou, assim, uma narrativa que não se limitou à história de uma ponte. A obra tornou-se símbolo de memória, desenvolvimento, identidade e pertencimento, em um desfile elaborado para conectar as lembranças de ontem às perspectivas de amanhã.

Caprichosos da Harmonia resgata a tradição do Rei Negro

A Caprichosos da Harmonia levou para a avenida virtual o enredo “Rei Negro em tempo de Negro Rei”, mergulhando em uma tradição de matriz afro-brasileira marcada pela religiosidade, pela cultura popular e pela devoção ao santo Rei Baltazar.

A narrativa apresentou a tradição como uma manifestação de fé que atravessou gerações entre comunidades negras brasileiras.

Resgate de uma tradição, foi a defesa da Caprichosos da Harmonia para este carnaval.

O desfile retratou o anúncio da chegada da fé associada ao Rei Mago negro e sua transformação em figura de proteção e orientação espiritual para seus devotos.

As celebrações tomaram as ruas, engenhos e fazendas, acompanhadas por cantos, músicos, pastores e manifestações de devoção popular. O som dos instrumentos e as danças foram utilizados como elementos de construção de uma atmosfera coletiva de celebração.

No Dia de Reis, diferentes nações africanas presentes no Brasil foram representadas na grande celebração, entre elas Minas, Angolas, Moçambiques, Monjolos, Benguelas e Cassanges.

Batuques, acrobacias, príncipes, feiticeiros e guardiões compuseram a representação da corte e ampliaram a dimensão teatral da narrativa.

A escola também abordou o surgimento de novas manifestações dentro dessa tradição, como o cumbi, incorporando elementos dramáticos e simbólicos à encenação.

O desfile da Caprichosos da Harmonia destacou, portanto, a permanência da herança africana na formação cultural brasileira e a maneira como tradições religiosas e populares foram preservadas, transformadas e transmitidas ao longo do tempo.

Águia Imperial apresenta a vida e o legado de Dona Canô

A Águia Imperial dedicou seu desfile à trajetória de Claudionor Viana Teles Veloso, a eterna Dona Canô, uma das grandes referências culturais de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.

A agremiação construiu uma narrativa biográfica que buscou apresentar Dona Canô a partir de sua relação com a cidade, sua família, sua fé e sua importância para a cultura brasileira.

O desfile começou pela própria formação histórica e cultural de Santo Amaro, passando pela presença indígena, pelo ciclo do açúcar, pela relação com o Rio Subaé e pelas manifestações de religiosidade popular ligadas a Santo Amaro e Nossa Senhora da Purificação.

Homenagem a Dona Canô, enredo proposto pela Águia Imperial.

Esse cenário serviu como base para apresentar a infância e a juventude de Dona Canô, sua formação cultural, sua sensibilidade artística e o profundo vínculo desenvolvido com a música, a leitura e a vida comunitária.

O sobrado onde viveu durante décadas apareceu como símbolo de acolhimento e convivência. Mais do que uma residência, o espaço foi apresentado como ponto de encontro e como ambiente de construção de uma extensa rede familiar e cultural.

A religiosidade também ocupou posição de destaque. A devoção a Nossa Senhora da Purificação, sua participação em novenas e no Terno de Reis foram incorporadas à narrativa.

A defesa do meio ambiente e sua relação com diferentes manifestações culturais também fizeram parte do desfile.

Outro momento de destaque foi a abordagem das manifestações de matriz africana e da presença do candomblé nas ruas, evidenciando a convivência entre diferentes expressões religiosas e culturais que caracteriza a formação do Recôncavo Baiano.

No encerramento, a Águia Imperial apresentou o legado de Dona Canô por meio de sua família, especialmente pela influência exercida sobre nomes fundamentais da música brasileira, como Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Dessa forma, a agremiação apresentou Dona Canô não apenas como matriarca de uma família célebre, mas como personagem fundamental para compreender a identidade cultural de Santo Amaro e sua projeção para o Brasil e para o mundo.

Ases Imperial transforma a trajetória de Jorge Lafond em uma celebração de vida

A penúltima escola da noite foi a Ases Imperial, que apresentou “Jorge para sempre Verão”, uma homenagem a Jorge Lafond, eternizado pelo público como Vera Verão.

A escola construiu uma narrativa simbólica inspirada nas quatro estações do ano, relacionando cada período a diferentes fases da vida do artista e às forças da natureza e da espiritualidade dos orixás.

Eterna Vera Verão, homenageada pela Ases Imperial.

O outono representou o tempo de semear e trouxe os primeiros anos de Jorge Lafond, nascido em Nilópolis, na Baixada Fluminense. O enredo abordou os preconceitos enfrentados desde cedo e os obstáculos impostos por um contexto social marcado pela intolerância.

A dança e o teatro surgiram como caminhos de expressão, construção de identidade e afirmação artística.

O inverno simbolizou os períodos de desafios e conflitos. A escola apresentou episódios relacionados ao preconceito estrutural e às dificuldades enfrentadas pelo artista em diferentes espaços de visibilidade.

A chegada da primavera representou o florescimento de sua carreira. Televisão, teatro e cinema passaram a integrar a trajetória de Jorge Lafond, enquanto sua criatividade ganhava novas dimensões.

Nesse momento, ganhou destaque a personagem Vera Verão, que ultrapassou os limites da televisão e tornou-se uma referência de irreverência, humor, representatividade e presença artística.

O verão encerrou a trajetória como símbolo de plenitude, permanência e memória.

Mesmo após sua morte, Jorge Lafond permaneceu presente na cultura brasileira, no Carnaval e na memória de diferentes gerações. Sua trajetória também foi apresentada como parte da história da representatividade LGBTQIAPN+ no país.

A Ases Imperial transformou a homenagem em uma celebração da vida, da arte e da capacidade de um artista de permanecer vivo na memória coletiva.

Imperiais do Samba encerra a noite com “A Grande Ópera do Tempo”

Encerrando a primeira noite de desfiles do Grupo Especial, a Imperiais do Samba, uma das mais tradicionais agremiações do Carnaval Virtual, apresentou “A Grande Ópera do Tempo”.

Em atividade desde 1999 e com seu primeiro desfile realizado em 2003, a escola possui uma trajetória de 23 anos de desfiles consecutivos, sendo reconhecida por sua permanência no Carnaval Virtual.

Tradicionalmente associada a enredos ligados à africanidade, a Imperiais do Samba apresentou nesta edição uma proposta diferente de sua linha temática mais recorrente.

Em “A Grande Ópera do Tempo”, a escola propôs uma reflexão poética sobre a passagem do tempo e sua influência sobre a vida, a natureza e as civilizações.

Imperiais do Samba conta o tempo na avenida.

A narrativa partiu da própria criação da vida. Do vazio inicial surgiram rios, plantas, rochedos, árvores e, posteriormente, a humanidade. Nesse processo, as fiandeiras apareceram como figuras simbólicas responsáveis por tecer as tramas da existência, representando ciclos, caminhos e destinos.

O tempo foi apresentado como uma força permanente, responsável por conduzir os ritmos da vida e marcado por elementos tão cotidianos quanto o dia e a noite.

A escola também abordou a relação da humanidade com o desejo de compreender, controlar e até mesmo deter o tempo. Artes, sonhos, ambições e mistérios foram incorporados à narrativa como manifestações dessa eterna tentativa humana de compreender aquilo que não pode ser interrompido.

Entre períodos de transformação, momentos de silêncio e instantes de festa, a Imperiais do Samba apresentou o Carnaval como uma manifestação capaz de renascer continuamente.

O futuro, nessa leitura, não representa um ponto final, mas a possibilidade de um novo começo. E é justamente nesse conceito que o desfile encontrou sua força: mesmo diante da passagem inevitável do tempo, a festa permanece.

A escola encerrou a noite transformando a avenida virtual em um grande palco, no qual o tempo assumiu o papel de protagonista e o Carnaval apareceu como uma espécie de eterna ilusão, capaz de sobreviver às próprias transformações da humanidade.

Uma noite marcada pela diversidade de narrativas

A primeira noite do Grupo Especial do Carnaval Virtual LIESB 2026 apresentou uma ampla diversidade de temas e abordagens.

Literatura, história, ancestralidade, religiosidade, cultura popular, identidade regional, memória, homenagens e reflexões filosóficas estiveram presentes em uma noite que percorreu diferentes períodos históricos e diferentes regiões do Brasil.

Das páginas da literatura brasileira à imaginação de Júlio Verne; da ancestralidade afro-brasileira às tradições ciganas; da história de Niterói à memória da Ponte Hercílio Luz; da tradição do Rei Negro à trajetória de Dona Canô; da vida e da arte de Jorge Lafond à passagem do próprio tempo, as agremiações construíram diferentes maneiras de contar histórias por meio do Carnaval Virtual.

Mais do que apresentar fantasias, alegorias e sambas de enredo, as escolas trouxeram propostas que buscaram transformar conhecimento, memória e cultura em espetáculo.

A primeira noite também reforçou a diversidade que caracteriza o Grupo Especial, reunindo trabalhos de diferentes estilos e gerações em uma disputa que promete ser marcada pelo equilíbrio.

E a festa ainda não terminou.

Neste sábado acontece a segunda e última noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval Virtual LIESV 2026.

Mais agremiações entram na avenida virtual para apresentar seus enredos, sambas, fantasias e alegorias, incluindo novas escolas convidadas e concorrentes ao título da temporada.

Depois de uma primeira noite marcada por grandes histórias, homenagens e diferentes formas de representação cultural, a expectativa agora se volta para os trabalhos que encerram a programação do Grupo Especial.

A segunda noite promete dar continuidade à celebração do Carnaval Virtual e completar o conjunto de apresentações que será levado à avaliação dos jurados.

O espetáculo continua. A avenida virtual Ewerton Fintelman de Oliveira permanece aberta e, nesta noite, o Carnaval escreve mais um capítulo de sua história.

Link para acessar os desfiles

https://www.youtube.com/watch?v=t3j3aekm_H0

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