LIESV abre o Carnaval Virtual 2026 com o Grupo de Acesso em noite marcada por estreias, homenagens e diversidade cultural.

Agremiações que abrilhantaram a primeira noite de desfiles do grupo de acesso, carnaval virtual 2026.

A noite de 14 de agosto marcou a abertura oficial do Carnaval Virtual 2026. Após um longo período de preparação, o Grupo de Acesso deu o primeiro passo para a nova temporada da folia virtual, reunindo 12 agremiações em uma noite marcada pela diversidade de propostas, pela força dos enredos e pela presença de escolas estreantes.

O início dos desfiles ocorreu às 21h45, com apresentação de Kelly Cristina e comentários de Marcus Lopes. A programação foi aberta por duas agremiações convidadas, antes da entrada das escolas que disputam o Grupo de Acesso.

Ordem dos Desfiles

  • Mocidade Independente (Convidada)
  • Unidos do Sampaio (Convidada)
  • Inocentes do Campo Novo
  • Pavlova
  • Paracambi Imperial
  • Batuque do Povo
  • Reino do Axolote
  • Amigos do Samba
  • Sociedade Carnavalesca Consulado
  • Guandu
  • Academia do Êxtase Popular
  • Delírio Carioca

O resultado foi uma abertura considerada de alto nível, com trabalhos que demonstraram planejamento, cuidado estético e diferentes formas de interpretar o Carnaval Virtual.

Mocidade Independente abre a noite com homenagem a Padre Miguel

A primeira escola convidada foi a Mocidade Independente, que apresentou o enredo “Salve a Mocidade”, uma homenagem à trajetória da Mocidade Independente de Padre Miguel.

Desfile realizado em 2023, pelo Grupo Especial da LIESV.

O desfile revisitou momentos importantes da história da tradicional agremiação carioca, passando pelo seu surgimento, pela figura de seu patrono, por sua identidade e por elementos que ajudaram a construir sua marca no Carnaval do Rio de Janeiro.

A apresentação recuperou um trabalho realizado pela própria LIESV em 2023 e levou novamente ao público uma narrativa dedicada à história da Mocidade. A escola convidada abriu oficialmente os desfiles em alto nível, estabelecendo desde os primeiros minutos o tom de uma noite que seria marcada pela variedade de temas e propostas.

Unidos do Sampaio revisita “Divinamente Raios” em desfile marcado pela força da natureza

Na sequência, a segunda escola convidada da noite foi a Unidos do Sampaio, antiga integrante da extinta Liga Carnaval & Arte. A agremiação apresentou “Divinamente Raios”, enredo originalmente desenvolvido para o Carnaval de 2021, quando a escola conquistou o campeonato do Grupo da Liga.

A proposta mergulhou no universo dos raios e na relação desse fenômeno com diferentes concepções sobre a origem da vida, a criação e as forças que regem a natureza. Ao longo da narrativa, o raio foi apresentado não apenas como uma manifestação atmosférica, mas como um elemento carregado de simbolismo, poder e mistério.

Unidos do Sampaio foi a campeã do Grupo ùnico em 2021, pela Carnaval & Arte.

O enredo percorreu diferentes interpretações atribuídas aos raios ao longo da história, destacando sua presença em mitologias, crenças e manifestações culturais. Deuses, divindades e entidades associados aos céus, às tempestades, ao trovão e aos raios foram incorporados à narrativa, estabelecendo uma conexão entre o fenômeno natural e o imaginário religioso de diferentes povos.

A Unidos do Sampaio explorou, dessa forma, a dimensão divina atribuída aos raios, relacionando a força das descargas elétricas aos mitos de criação, à ação das divindades e à própria percepção humana diante dos fenômenos da natureza.

O desfile também representou o resgate de um trabalho que marcou a trajetória da agremiação e da antiga Liga Carnaval & Arte. Ao retornar ao Carnaval Virtual, a Unidos do Sampaio trouxe novamente uma narrativa de grande força temática, reafirmando a importância de “Divinamente Raios” dentro de sua história.

Inocentes do Campo Novo aposta na inteligência artificial

Depois das duas apresentações especiais, teve início a disputa do Grupo de Acesso. A primeira concorrente foi a Inocentes do Campo Novo, escola de São Gonçalo, com o enredo “O Brilho da Inteligência Artificial – Um Desfile de Inovação e Encanto”.

A agremiação utilizou o universo da inteligência artificial como ponto de partida para construir um desfile alinhado ao próprio conceito do Carnaval Virtual. A tecnologia, cada vez mais presente no cotidiano, no trabalho e nas relações sociais, foi transformada em linguagem carnavalesca.

Escola de São Gonçalo aposta na IA para o Carnaval Virtual.

O resultado foi um desfile de inovação e encantamento, com forte utilização de cores, efeitos visuais e elementos tecnológicos. A comissão de frente, por exemplo, explorou recursos de iluminação para criar uma atmosfera futurista, com referências visuais ao universo neon e high-tech.

O Gavião, símbolo principal da escola, também recebeu uma releitura tecnológica, aparecendo em uma representação robótica que reforçou a proposta de imersão no tema.

Com samba defendido por Flávio Santos, a Inocentes do Campo Novo apresentou um conjunto coeso, dinâmico e visualmente elaborado, estabelecendo uma relação direta entre o tema do enredo e a estética do desfile.

Pavlova transforma religiosidade e cultura maranhense em espetáculo.

A Pavlova veio logo depois com “O conto da Sagrada Senhora que surgiu das águas do mar”.

Inspirado em contos populares e manifestações culturais do Maranhão, o enredo abordou a devoção a Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, figura de grande importância dentro das manifestações religiosas e culturais afro-brasileiras.

Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, enredo defendido pela agremiação.

A proposta promoveu um encontro entre diferentes referências culturais e religiosas, transformando a oração em espetáculo e estabelecendo diálogos entre o catolicismo popular e manifestações de matriz africana.

O desfile também trabalhou conceitos como respeito, união e amor, valorizando a convivência entre diferentes culturas, seus ritos, saberes e formas de expressão.

Visualmente, a Pavlova apresentou um conjunto bastante colorido e compacto, com fantasias luxuosas e alegorias cuidadosamente construídas. O trabalho do carnavalesco Márcio Ronald demonstrou atenção aos detalhes e forte preocupação com a unidade estética da apresentação.

Paracambi Imperial leva os mistérios das folhas para a avenida

Representando o município de Paracambi, no estado do Rio de Janeiro, a Paracambi Imperial apresentou “Ewé Áse, o Segredo que o Vento espalhou”.

O enredo mergulhou em uma narrativa relacionada às religiões de matriz africana, tendo Ossain como personagem central. Divindade associada às ervas, à cura e aos mistérios da floresta, Ossã aparece na narrativa como guardião dos segredos contidos nas folhas e dos conhecimentos necessários aos rituais de cura e ao equilíbrio espiritual.

Paracambi Imperial, defende enredo para retornar ao Grupo Especial.

A concentração desse conhecimento desperta a preocupação dos demais orixás. Xangô, associado à justiça e ao equilíbrio, entende que os poderes das folhas deveriam ser compartilhados. É nesse momento que Iansã, senhora dos ventos e das tempestades, provoca uma forte ventania que rompe a cabaça de Ossain e espalha as folhas pelo mundo espiritual.

A partir dessa narrativa, cada orixá passa a receber ervas relacionadas às suas características e domínios.

A Paracambi Imperial construiu um desfile atento aos elementos simbólicos do enredo, com fantasias bem desenvolvidas e alegorias que despertavam a atenção pela riqueza visual. A escola demonstrou cuidado na tradução da narrativa para a linguagem carnavalesca, mantendo unidade entre o conteúdo apresentado e a construção estética. Com assinatura criativa de Danilo Santiago, a agremiação que foi rebaixada do grupo especial ano passado, fez um belo trabalhando, querendo voltar a elite do carnaval.

Batuque do Povo estreia celebrando o tambor e a encantaria

Uma das estreias da noite foi a Batuque do Povo, que fez sua primeira participação no Carnaval Virtual com “A batida que convoca caboclos e voduns e faz do carnaval o altar da encantaria”.

O tambor foi escolhido como elemento central da narrativa. Mais do que um instrumento musical, ele apareceu como símbolo de memória, identidade, ancestralidade e continuidade, especialmente a partir das referências do tambor de mina, manifestação fortemente associada à cultura maranhense.

Tambor de Mina é a aposta da Batuque do Povo em sua estreia no Carnaval Virtual.

A escola iniciou sua narrativa pela ancestralidade e pelos povos originários, avançando gradualmente para uma imersão na cultura do Maranhão. O tambor esteve presente em diferentes momentos do desfile, assumindo múltiplas representações e reforçando a conexão entre música, religiosidade e comunidade.

A estreia também marcou a chegada da carnavalesca Vitória Prado ao Carnaval Virtual. O trabalho apresentou uma proposta visual consistente e demonstrou cuidado na construção de uma identidade própria para a nova agremiação.

Reino do Axolote presta homenagem a Jéssica Rosado.

O desfile seguinte foi marcado pela emoção. O Reino do Axolote apresentou “O Axolote canta para os céus: Jéssica Rosado, nossa estrela imortal”, uma homenagem dedicada a Jéssica Rosado.

Homenagem muito emocionante e marcante a Jéssica Rosado.

A agremiação construiu sua apresentação a partir da memória e do reconhecimento à trajetória de Jéssica, destacando sua dedicação, seu trabalho e as lutas que marcaram sua caminhada.

Por se tratar de uma homenagem de caráter particular e afetivo, o desfile assumiu uma dimensão especialmente simbólica dentro da noite. A proposta transformou o Carnaval em espaço de memória, celebração e reconhecimento, colocando a figura homenageada no centro da narrativa. Um samba enredo muito bem composto por Túlio Rabelo, que combinou perfeitamente com todo Trabalho estético feito por João Victor Caetano e entoado por Zein Mariano, levando a emoção todos que assistiram.

Amigos do Samba reverencia a trajetória de Evelyn Bastos.

Rebaixada ao Grupo de Acesso na temporada anterior, a Amigos do Samba retornou à disputa com “Evelyn Bastos, a rainha preta da favela da Mangueira”.

O enredo prestou homenagem à trajetória de Evelyn Bastos, rainha de bateria da Estação Primeira de Mangueira, acompanhando sua caminhada desde a infância na comunidade do Morro da Mangueira até sua consolidação como uma das figuras de destaque do carnaval carioca.

Evelyn Bastos é a homenageada pela Amigos do Samba.

Com 21 anos de fundação, a Amigos do Samba é uma das escolas tradicionais da LIESV e utilizou sua experiência para desenvolver uma narrativa marcada pela valorização da personagem central do enredo.

O carnavalesco Henrique assinou um trabalho atento aos detalhes, com cuidado na construção das fantasias e alegorias. A apresentação manteve características que fazem parte da identidade da escola e apresentou uma homenagem construída com riqueza de elementos. Entregando com maestria o trabalho proposto, a agremiação que também foi rebaixada do grupo especial em 2025, mostra que vem brigar para o seu retorno a elite do carnaval.

Consulado percorre o Brasil de Norte a Sul

Depois de duas tentativas anteriores de levar seu enredo à avenida, a Consulado finalmente conseguiu concretizar sua participação com “Rituais, do Oiapoque ao Chuí, um Brasil de fé e gente festeira”.

A escola propôs uma viagem pelas manifestações culturais, religiosas e populares que ajudam a construir a identidade brasileira. A narrativa percorreu diferentes regiões do país, destacando celebrações, crenças, festas e tradições.

Consulado festeja o Brasil em todas as regiões.

No Norte, o desfile apresentou referências aos rituais indígenas, ao Festival de Parintins, ao Círio de Nazaré e à força espiritual da Amazônia. A viagem seguiu pelo Nordeste, explorando os ritmos, as cores e as celebrações populares, com destaque para as festas juninas.

O Centro-Oeste apareceu representado por manifestações como o Cururu, o Siriri, a Festa do Divino e os encontros sertanejos. No Sul, a escola destacou expressões como a Oktoberfest, a Festa da Uva e o Carnaval de Uruguaiana.

O percurso terminou no Sudeste, com referências ao Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo, aos blocos de rua e a outras manifestações culturais da região.

A Consulado apresentou, assim, um desfile construído como um grande mosaico cultural brasileiro, valorizando as particularidades de cada região e mostrando como diferentes tradições contribuem para a formação de uma identidade nacional plural. Após duas tentativas anteriores de levar o enredo à avenida, a agremiação finalmente conseguiu concretizar sua proposta, apresentando um desfile bem elaborado, coeso e marcado pela riqueza de elementos culturais.

Guandu estreia com a lenda do Corpo Seco

Outra estreante da noite foi a Guandu, escola de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A agremiação levou para a avenida o enredo “Corpo Seco, a Terra Não o Quis”, inspirado em uma das conhecidas lendas do folclore brasileiro.

Folclore é o tema central da Guandu em sua estreia.

O Corpo Seco é tradicionalmente representado como uma figura associada à morte e à rejeição, uma criatura cujo corpo não encontra descanso após a morte e que, segundo diferentes versões da tradição popular, passa a vagar como uma assombração. A lenda está presente em diferentes regiões do país e ganhou diversas versões ao longo do tempo.

A Gandu aproveitou a atmosfera sombria do tema para construir uma identidade visual marcada pela densidade e pela força das imagens. O desfile foi desenvolvido de maneira linear, apresentando a narrativa de forma compreensível do início ao fim.

As alegorias e fantasias dialogaram diretamente com o universo do folclore e contribuíram para criar uma ambientação compatível com a proposta. Para uma escola estreante, a apresentação demonstrou planejamento e uma compreensão clara da linguagem que o enredo exigia.

Academia do Êxtase Popular transforma emoção coletiva em espetáculo

Mais uma escola estreante entrou em cena: a Academia do Êxtase Popular, com o enredo “Êxtase, quando o povo transforma emoção em espetáculo”.

A agremiação explorou o êxtase como manifestação de alegria, paixão, pertencimento e emoção coletiva. A proposta partiu da ideia de que determinados sentimentos ultrapassam a experiência individual e ganham dimensão pública, transformando-se em manifestações culturais e sociais.

Academia traz o Êxtase para o Êxtase do Carnaval Virtual.

Carnavais, festivais, celebrações populares, músicas, danças, cores e rituais foram utilizados como exemplos de momentos em que a emoção coletiva cria uma atmosfera de euforia e conexão.

O desfile apresentou forte variedade cromática e uma construção visual coesa. A Academia do Êxtase Popular conseguiu transformar o próprio conceito de êxtase em linguagem carnavalesca, utilizando movimento, cores e celebração como elementos fundamentais de sua apresentação. Estreando no carnaval virtual, mostrou ao que veio, com um desfile muito rico em detalhes e luxuoso, além de um samba muito cativante e alegre, bem dentro da proposta.

Delírio Carioca encerra a noite com os Trapalhões

Coube à Delírio Carioca encerrar a primeira noite do Grupo de Acesso. Também estreante no Carnaval Virtual, a escola apresentou “Luz, Câmera… Trapalhada! Uma delirante aventura no cinema”.

Os Trapalhões marcam presença no desfile da Delírio Carioca.

O enredo mergulhou no universo cinematográfico dos Trapalhões, quarteto formado por Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias, levando para a avenida referências à trajetória do grupo e aos clássicos que marcaram sua passagem pelo cinema brasileiro.

A proposta permitiu à escola trabalhar com humor, memória e cultura popular, explorando o universo de personagens e situações que fizeram parte dos filmes protagonizados pelo grupo.

A Delírio Carioca encerrou a noite com um desfile movimentado, colorido e dinâmico, utilizando a linguagem da comédia e do cinema para construir uma apresentação leve e visualmente vibrante. O resultado fechou a programação com uma proposta bastante diferente das apresentadas pelas demais agremiações.

Uma abertura marcada pela diversidade

A primeira noite do Carnaval Virtual 2026 terminou com um saldo positivo para o Grupo de Acesso. Ao longo da programação, as 12 agremiações apresentaram propostas distintas, passando por tecnologia, religiosidade, ancestralidade, folclore, cultura popular, homenagens, cinema e manifestações regionais.

A presença de diferentes escolas estreantes também foi um dos destaques da noite. Batuque do Povo, Guandu, Academia do Êxtase Popular e Delírio Carioca fizeram sua primeira participação no Carnaval Virtual e contribuíram para ampliar a diversidade do grupo.

Depois de um período de preparação mais longo e de uma temporada anterior marcada por dificuldades, o Carnaval Virtual 2026 começou demonstrando que as agremiações aproveitaram o tempo disponível para desenvolver seus projetos.

A programação continua neste sábado, 15 de agosto, com a segunda noite de desfiles do Grupo de Acesso. Novas agremiações convidadas e concorrentes entram em cena para dar continuidade à disputa e apresentar seus trabalhos na temporada 2026 da LIESV.

Link para acessar os desfiles

https://www.youtube.com/watch?v=VKD6gHJWc90

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