
segunda e última noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval Virtual LIESV 2026 foi realizada neste domingo, após o adiamento da programação originalmente prevista para o sábado. A transmissão teve início às 17h e contou com apresentação de Jaime Cesário, além dos comentários de Marcus Lopes e Kelly Cristina.
Assim como na primeira noite, dez agremiações participaram da programação, sendo duas escolas convidadas e oito concorrentes ao título do Grupo Especial.
Com o encerramento da segunda noite, a avenida virtual Ewerton Fintelman de Oliveira recebeu os últimos trabalhos da temporada de desfiles do Carnaval Virtual 2026. Noite marcada pela diversidade de propostas, diferentes linguagens visuais e uma ampla variedade de histórias contadas pelas escolas.
Ordem dos Desfiles
- Rainha Negra (Convidada)
- Jardim Escola (Convidada)
- Colibris
- Paraíso da Folia
- Sereno de Cachoeiro
- Lagarto Feroz
- Castelo
- União Imperial de Sepetiba
- Rosa Vermelha
- Camarões dos Pampas
Rainha Negra revisita “Poiesis” e homenageia Ewerton Fintelman
A segunda noite começou com a convidada Rainha Negra, campeã do Carnaval Virtual da LIESV em 2025, que retornou nesta edição para reapresentar “Poiesis”, enredo originalmente defendido pela agremiação em 2009.

O trabalho apresentou uma reflexão sobre a criação artística e a capacidade humana de transformar sentimentos, ideias e experiências em arte. A narrativa percorreu diferentes períodos da história da humanidade, passando pelas primeiras manifestações artísticas, pela Idade Média, pelo Renascimento, pelo Classicismo, pelo Barroco e pela modernidade.
O conceito de poiésis, associado ao ato de criar e produzir, foi utilizado como fio condutor de uma viagem pela evolução da expressão humana.
A apresentação ganhou uma dimensão ainda mais emocional em seu encerramento, quando a escola homenageou Ewerton Fintelman, seu saudoso presidente, falecido no ano passado. A imagem do dirigente envolto por anjos marcou o encerramento da participação da Rainha Negra e acrescentou um forte componente de memória à reapresentação.
Jardim Escola resgata a infância e a televisão

A segunda convidada da noite foi a Jardim Escola, que levou para a avenida virtual uma nova versão de “No Clube da Alegria, a maravilha deste Xou é ter a sua companhia”.
O enredo, originalmente apresentado pela União Imperial de Sepetiba em 2022 e posteriormente adaptado pela Jardim Escola em 2023, revisitou o universo das apresentadoras infantis e dos programas que marcaram gerações.
Xuxa, Angélica, Eliana, Mara Maravilha, Jackeline Petkovic, Mariane, Simony, Myla Christie, Dani Pink, Kelly Key, Simony e outras referências da televisão e da cultura infantil apareceram ao longo da narrativa.
A proposta também explorou músicas, filmes, personagens, brinquedos e diferentes elementos da memória afetiva da infância.
O desfile recebeu novas adaptações para a linguagem do Carnaval Virtual de 2026, preservando a essência do trabalho e acrescentando elementos adequados à estética digital.
A nova gravação do samba, interpretada por Cláudio Bardelli Júnior e composta por Edson Joia, acompanhou a apresentação, que se destacou pelas cores, pela variedade de referências e pelo forte caráter nostálgico.
Com a Jardim Escola, foram encerradas as apresentações das convidadas e começou oficialmente a disputa pelo título do Grupo Especial.
Colibris apresenta a influência árabe na formação do sertão
A Colibris foi a primeira concorrente da noite, apresentando “O Sopro do Deserto no Chão do Sertão”.
O desfile abordou a presença árabe na Península Ibérica e sua influência na formação cultural do Nordeste brasileiro.

A narrativa passou pela formação de Al-Andalus, pelo desenvolvimento cultural de cidades como Córdoba e pela convivência entre diferentes povos, antes de avançar para os processos históricos de perseguição e dispersão que levaram costumes e conhecimentos a outros territórios.
No Brasil, a escola apresentou a permanência dessas influências em elementos da agricultura, arquitetura, vestimentas e diferentes ofícios.
Cordel, samba de coco, bandas de pífano e a figura do vaqueiro também foram utilizados para estabelecer conexões entre diferentes tradições.
A Colibris apresentou o sertão como resultado de encontros culturais e históricos, demonstrando como diferentes matrizes contribuíram para a construção da identidade nordestina.
Paraíso da Folia transforma o pampa em território fantástico
A Paraíso da Folia apresentou “A rocambolesca estória do homem que só queria achar seu boi, mas achou a mulher-salamandra e a alma penada no meio da Salamanca Hispano-Mouro-Gaúcha”.

O enredo acompanhou Blau em uma jornada pela cultura popular do Sul do Brasil, iniciada pela busca de um boi perdido e transformada em uma aventura repleta de seres míticos.
A narrativa aproximou referências indígenas, europeias e árabes, utilizando lendas regionais e tradições orais para construir um universo fantástico.
Teiniaguá, a Salamanca do Jarau, espíritos, grutas mágicas e outras figuras do imaginário popular compuseram uma apresentação marcada pelo sincretismo cultural.
A escola transformou a mistura de diferentes tradições em uma narrativa carnavalesca que valorizou a cultura popular gaúcha e a capacidade das lendas de preservar a memória coletiva.
Sereno de Cachoeiro apresenta a origem da luz entre os Iny
A Sereno de Cachoeiro levou para a avenida virtual “Inykywi Kananciuê”, inspirado na mitologia e na espiritualidade do povo Iny, conhecido como Karajá.
O enredo apresentou um mundo primordial mergulhado na escuridão, no qual o povo Iny vivia nas profundezas das águas do Araguaia.

Nesse cenário surgiu Kananciuê, herói que, apesar de inicialmente ser visto como preguiçoso, carregava a capacidade de transformar o destino de seu povo.
Em busca da luz, o personagem encontrou Ranranresá, o urubu-rei que guardava em seu ninho o Sol, a Lua e as estrelas.
Kananciuê enfrentou o exército de penas negras e libertou os astros, espalhando-os pelo firmamento.
No desfecho, seu sacrifício permitiu controlar a velocidade do Sol e garantir condições para que a vida florescesse. O personagem tornou-se, assim, guardião do equilíbrio do tempo.
A Sereno de Cachoeiro transformou a narrativa em uma celebração da ancestralidade indígena, destacando rituais, espiritualidade e manifestações culturais como instrumentos de preservação da identidade.
Lagarto Feroz embarca em uma viagem pelas cidades perdidas
A Lagarto Feroz apresentou “Sol de América na Terra das Palmeiras”, unindo história, mitologia e fantasia.

O desfile revisitou relatos sobre Eldorado, Paititi, Akakor e outras cidades supostamente perdidas que alimentaram a imaginação dos exploradores europeus.
A escola também estabeleceu conexões com tradições indígenas e com relatos históricos brasileiros, incluindo referências ao Manuscrito 512.
A partir dessas histórias, a agremiação criou uma narrativa ficcional sobre o filho de Inti, o Sol, que deixa os Andes e segue rumo a Pindorama para fundar uma cidade mítica na Chapada Diamantina.
A jornada envolveu aliados, povos, desafios e forças sobrenaturais até culminar na ascensão do Inca e de sua comitiva aos céus.
O desfile apresentou uma viagem pelo imaginário sul-americano, explorando a relação entre mito, território e memória.
Castelo revisita o fantástico nas lendas brasileiras

A Castelo apresentou “Histórias do arco da velha, sinônimo do fantástico e das lendas brasileiras.”, conduzindo o público para o universo das lendas e histórias populares brasileiras.
Um viajante, depois de ouvir o canto do uirapuru, passa a recordar os causos contados pelos mais velhos.
A partir daí, surgem tesouros encantados, criaturas misteriosas, seres das florestas, entidades das águas e assombrações.
O medo, porém, passa a representar também uma forma de aprendizado. Ao recuperar os ensinamentos transmitidos pelas gerações anteriores, o viajante encontra coragem para enfrentar aquilo que o assusta.
A escola utilizou o folclore como ferramenta de preservação da memória coletiva e valorização da tradição oral.
União Imperial de Sepetiba fez um grito pela preservação ambiental
A União Imperial de Sepetiba apresentou “O Último Sopro da Terra: um Grito pela Vida”, levando para a avenida virtual uma das propostas mais diretamente relacionadas às questões ambientais contemporâneas.
A escola abordou gases poluentes, aquecimento global, alterações climáticas, derretimento das calotas polares, elevação do nível dos oceanos, branqueamento dos corais e morte de espécies marinhas.

O desfile também estabeleceu uma conexão direta com a realidade local, destacando os problemas ambientais enfrentados pela Baía de Sepetiba.
O boto-cinza, símbolo da agremiação e espécie presente na região, apareceu como representação da esperança.
A narrativa apontou caminhos possíveis para a recuperação ambiental, como energias renováveis, controle de resíduos e fortalecimento de práticas sustentáveis.
A Mãe Natureza e os elementos naturais também foram apresentados como forças capazes de contribuir para a reconstrução do planeta, desde que a humanidade assuma sua responsabilidade nesse processo.
A União Imperial transformou uma questão global em uma narrativa diretamente relacionada ao território que representa, apresentando um trabalho de forte caráter social e ambiental.
Rosa Vermelha mergulha na cultura dos bois de Parintins
A Rosa Vermelha apresentou “Auto do Xipuara, a pândega do boi Tupinambarana”, levando para o Carnaval Virtual a riqueza do folclore amazônico.

O desfile trouxe personagens como Pai Francisco, Mãe Catirina, Gazumbá, Pajé e Sinhazinha, além de referências a Lindolfo Monteverde e à trajetória do Boi Garantido.
A narrativa também fez referências aos bois que compõem o imaginário do Festival de Parintins, incluindo Caprichoso e Campineiro.
Palhas, fitas, flores, estandartes, porangas, palafitas, mocambos e currais ajudaram a criar uma representação visual inspirada na cultura popular parintinense.
A escola apresentou o Boi-Bumbá como patrimônio afetivo e cultural da Amazônia, destacando sua capacidade de reunir tradição, música, identidade e celebração.
Camarões dos Pampas encerra a noite com a história de Mãe Senhora
A última escola da noite foi a Camarões dos Pampas, campeã do Grupo de Acesso em 2025 e recém-promovida novamente ao Grupo Especial.
Com “A Sagrada Senhora”, a agremiação homenageou Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora, terceira ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá.

O desfile apresentou sua trajetória como liderança religiosa e símbolo da resistência negra e da preservação das tradições de matriz africana.
A escola percorreu diferentes momentos de sua vida, destacando sua formação espiritual, sua atuação no candomblé baiano e sua influência cultural.
Também ganhou destaque sua relação com importantes nomes da intelectualidade brasileira e o reconhecimento recebido na Nigéria, onde foi consagrada com o título de Iyanassô.
A conexão entre Brasil e África foi utilizada como um dos pilares da apresentação, reforçando a importância da ancestralidade na formação das religiões e culturas afro-brasileiras.
Com a homenagem a Mãe Senhora, a Camarões dos Pampas encerrou a segunda noite com uma narrativa centrada na memória, na fé, na resistência e na preservação cultural.
Uma noite marcada pela diversidade narrativa
A segunda noite do Grupo Especial apresentou uma verdadeira multiplicidade de caminhos narrativos.
A Rainha Negra revisitou a criação artística e a poesia; a Jardim Escola resgatou a infância e a memória da televisão; a Colibris investigou as influências árabes presentes na formação do sertão; a Paraíso da Folia mergulhou no fantástico universo do pampa; a Sereno de Cachoeiro apresentou uma narrativa de origem indígena; a Lagarto Feroz percorreu as lendas das cidades perdidas da América do Sul; a Castelo recuperou histórias e personagens do folclore brasileiro; a União Imperial de Sepetiba transformou a crise ambiental em um alerta pela vida; a Rosa Vermelha celebrou os bois de Parintins; e a Camarões dos Pampas encerrou a noite homenageando Mãe Senhora.
Foram dez apresentações com propostas distintas, mas unidas pela capacidade de transformar pesquisa, memória e cultura em espetáculo.
Ao longo da tarde, a avenida virtual recebeu histórias sobre criação, infância, ancestralidade, mitologia, folclore, identidade regional, preservação ambiental e religiosidade. Cada agremiação encontrou uma maneira própria de construir sua narrativa e apresentar ao público sua interpretação do Carnaval Virtual.
A avenida virtual encerra os desfiles de 2026
Com a passagem da Camarões dos Pampas, foi encerrado o espetáculo na Passarela Ewerton Fintelman de Oliveira, que foi aberta com a passagem da Mocidade Independente como convidada no grupo de acesso, concluindo oficialmente a etapa de desfiles do Carnaval Virtual LIESV 2026.
Foram quatro noites de apresentações, reunindo as agremiações do Grupo de Acesso e do Grupo Especial em uma temporada marcada pela diversidade de propostas, pelo trabalho artístico e pelo compromisso das escolas em colocar seus projetos na avenida virtual.
Depois de duas noites do Grupo de Acesso e duas noites do Grupo Especial, a etapa de apresentações chega ao fim.
Foram trabalhos que exigiram pesquisa, criação, produção audiovisual, elaboração de fantasias e alegorias, composição e interpretação de sambas de enredo, além de toda a dedicação das equipes responsáveis por transformar cada projeto em um desfile.
Agora, a sorte está lançada e o resultado está nas mãos dos jurados.
Mas o Carnaval Virtual 2026 ainda não terminou.
Agora, os olhos se voltam para a apuração
Com os desfiles encerrados, começa a expectativa pela apuração do Carnaval Virtual LIESV 2026.
Será durante essa etapa que o público conhecerá as agremiações campeãs de cada grupo e também os resultados que definirão o futuro das escolas para a temporada de 2027.
Quem será a grande campeã do Grupo de Acesso?
Qual agremiação conquistará o título do Grupo Especial?
Quais escolas serão rebaixadas do Grupo Especial para o Grupo de Acesso?
E quais agremiações garantirão o acesso à elite do Carnaval Virtual em 2027?
Todas essas respostas serão conhecidas apenas durante a apuração.
O termômetro da galera
Antes do resultado oficial dos jurados, o público também começa a escolher seus destaques.
🎉 TERMÔMETRO DA GALERA – Qual é o principal destaque da escola:
SEXTA:
1 – Comigo Ninguém Pode: Requinte de Alegorias
2 – Santa Cruz Imperial: Show de Figurinos
3 – União de Niterói: Que sambão!
4 – Floripa do Samba: Que sambão!
5 – Caprichosos da Harmonia: Requinte de Alegorias
6 – Águia Imperial: Show de Figurinos
7 – Ases Imperial: Que sambão!
8 – Imperiais do Samba: Show de Figurinos
DOMINGO:
1 – Colibris: Deu o nome!
2 – Paraíso da Folia: Requinte de Alegorias
3 – Sereno de Cachoeiro: Se não for pra brilhar, ela nem sai de casa.
4 – Lagarto Feroz: Show de Figurinos
5 – Castelo: Show de Figurinos
6 – União Imperial de Sepetiba: Criaria um prêmio só pra essa escola.
7 – Rosa Vermelha: Quem vê close, não vê corre.
8 – Camarões dos Pampas: Veio com tudo.
A disputa agora é pelo resultado
O Carnaval Virtual LIESV 2026 encerra sua etapa de desfiles depois de quatro noites de apresentações e dezenas de histórias contadas por meio da arte carnavalesca.
A avenida recebeu personagens históricos, mitológicos e populares, homenagens, manifestações culturais, reflexões ambientais, narrativas de ancestralidade e diferentes interpretações sobre a formação da sociedade.
Agora, resta aguardar a avaliação dos jurados.
O espetáculo terminou na avenida, mas a expectativa apenas começou.
A apuração vem aí! E, com ela, serão conhecidos os campeões, os acessos, os rebaixamentos e os novos capítulos que irão definir o Carnaval Virtual LIESV 2027.
Link para acessar os desfiles
https://www.youtube.com/watch?v=cwzgmLN8Gi4
LIESV – emoção, tradição e história na passarela digital.
Aqui é onde o verdadeiro carnaval virtual acontece.
