Trazendo “Teatro de Bonecos” como seu enredo, a Galo Cretino retorna à LIESV para o Carnaval Virtual de 2024

Nome da Escola:G.R.E.S.V Galo Cretino
Data de Fundação:24/08/2020
Cidade/Estado:Rio de Janeiro / RJ
Símbolo da Escola:Galo
Cores da Escola:Roxo e Amarelo
Instagram da Escola:Não se aplica.
Nome do Presidente:Bruno Pontes
Nome do Carnavalesco:Thalys Santana
Intérprete:Ainda não possui.
Outros Integrantes:Enredista: Daniel Carvalho
Enredo:Teatro de Bonecos
Autor do Enredo:Daniel Carvalho

Sinopse:


O Teatro de Bonecos, uma forma ancestral de arte performática, tem suas raízes
profundamente entrelaçadas com a história da humanidade. Inicialmente com o objetivo de
entreter as crianças, já era possível vislumbrar silhuetas nas paredes das cavernas dos antigos
povos pré-históricos há milhares de anos. Sentados ao redor do fogo, os adultos contavam
histórias sobre grandes caçadas por meio de gestos e sons, utilizando objetos para imitar animais
e aproveitando as sombras nas paredes das cavernas para ilustrar a aventura retratada.

No entanto, as primeiras evidências concretas da utilização do Teatro de Bonecos foram
encontradas no Egito Antigo e datam de aproximadamente 3 mil anos atrás. Pesquisadores
descobriram bonecos articulados dessa época feitos de madeira, marfim e argila controlados com
cordões e que até já possuíam braços, cabeça e pernas. Inventores do teatro tradicional, os
gregos também já utilizavam bonecos e sombras para suas representações culturais e religiosas
segundo textos de grandes filósofos como Platão e Aristóteles.

Além de gregos e egípcios, povos do Antigo Oriente também apreciavam o Teatro de
Bonecos. Historiadores descobriram bonecos de uso milenar em países como China, Índia, Java e
Indonésia. Nessa região, essa forma de entretenimento encontrou suas raízes em rituais e
cerimônias religiosas e eram relacionados ao diálogo entre o mundo real e o mundo espiritual.
Considerados quase como divindades pela sociedade, os bonecos além de muito realistas, eram
adornados e pintados com muita precisão e luxo.

Ao longo dos séculos, a arte viajou pelo mundo, adaptando-se às diferentes culturas e
influenciando inúmeras tradições teatrais. Já na Era Cristã, a tradição do Teatro de Bonecos
chegou a países como Itália, França e Alemanha, onde acredita-se que tenham sido levados do
continente asiático à Europa por intermédio de comerciantes chineses. Durante a Idade Média,
as primeiras marionetes ficavam à disposição da Igreja que as utilizavam para apresentações
religiosas ao público. Representando animais, pessoas ou objetos animados, as marionetes
consistiam em bonecos manipulados por pessoas através de cordas ou fios presos a uma
estrutura de madeira, possibilitando uma ampla gama de movimentos que podem reproduzir
com precisão gestos humanos e animações. Os marionetistas, nome dado àqueles que
manipulam os bonecos, apresentam-se escondidos atrás de uma tela de modo que apenas os
bonecos ficam visíveis em pequenos palcos.

Nas feiras populares, graças às trupes de artistas que rodavam as cidades europeias, o
Teatro de Bonecos passou a ser utilizado para a comédia, sátira de costumes e para representar
poemas românticos, tornando-se ainda mais popular entre crianças e adultos. Desde então essa
arte espalhou-se por outros países do continente, adquirindo particularidades e sendo moldado
à cultura de cada lugar. Nesse momento, além das marionetes também eram utilizados os
Bonecos de Luva, conhecidos como fantoches. Nos fantoches o manipulador calça o boneco em
sua mão para que o dedo indicador controle a cabeça enquanto que os dedos polegar e médio
manipulam os braços.

Apesar do grande sucesso por onde passava, apenas no século XX o Teatro de Bonecos
se tornou efetivamente uma manifestação artística e passou a influenciar grandes nomes das
artes plásticas. Em 1920, o pintor e escultor americano Alexander Calder ganhou fama pela
criação de espetáculos circenses com bonecos de arame. Já em 1959, O filme Os
Incompreendidos, do diretor francês François Truffaut, apresentou um teatro de marionetes em
uma das cenas mais conhecidas da história do cinema. Em um teatro lotado por crianças, o filme
se utilizava de fantoches para mostrar as emoções da clássica fábula de Chapeuzinho Vermelho.
Ao longo dos anos, diversas técnicas de manipulação foram desenvolvidas para dar vida
aos bonecos, cada uma com suas características únicas. Além dos já conhecidos marionetes e
fantoches, tem-se os bonecos de vara, que são manipulados por um mecanismo composto por
varas ou hastes projetadas para permitir tantos movimentos bruscos quanto movimentos mais
delicados, como os movimentos de boca e olhos. No caso de bonecos de figura humana,
normalmente possuem uma vara como eixo central e outras duas para os braços. O Bunraku,
técnica tradicional japonesa, envolve a manipulação de bonecos gigantes por três manipuladores,
cada um controlando uma parte diferente do boneco. Esta forma de teatro é conhecida por sua
precisão técnica e habilidades de manipulação altamente sincronizadas. Enquanto uma pessoa
controla e direciona a cabeça e sustenta o peso do boneco no quadril, o segundo e terceiro
manipuladores movimentam os braços e os pés, respectivamente. No Teatro Negro, originário da
República Tcheca, os bonecos são manipulados em um ambiente escuro, com os manipuladores
vestidos de preto para que se tornem invisíveis ao público, criando um efeito de magia e ilusão,
como se os bonecos possuíssem movimentos próprios.

Na América, o teatro de bonecos de luva chegou pelas mãos dos colonizadores, em
meados do século XVI, na era das grandes descobertas. No Brasil, esse movimento cultural
aportou e foi utilizado mais uma vez como instrumento de doutrinação religiosa. A princípio era
utilizado na catequização dos indígenas pelos padres Jesuístas. No Século XIX, imigrantes
germânicos também trouxeram seu teatro de títeres, também feito de luvas. As apresentações
mais antigas de teatro de marionetes em território brasileiro foram mencionadas no livro “O Rio
de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis”, por Luiz Edmundo, no século XVIII.

Em diferentes regiões brasileiras, o boneco de luva ou fantoche recebiam denominações
diversas: em Minas Gerais eram os Briguela ou João Minhoca; o Mané Gostoso em São Paulo e
no Rio de Janeiro; e o João Redondo, no Rio Grande do Norte e Paraíba. No entanto, essa arte se
imortalizou mesmo em solo nacional através dos mamulengos de Pernambuco. O mamulengo,
uma forma autêntica e enraizada de teatro de bonecos brasileiro, possui uma história fascinante
e rica em cultura. Originando-se no Brasil Colônia, o mamulengo é uma expressão única da
criatividade e da habilidade dos artistas populares brasileiros, conhecidos como
“mamulengueiros”, que normalmente levam sua “família de bonecos” dentro de uma mala para
os locais de suas apresentações.

Os mamulengos são tradicionalmente esculpidos à mão em madeira macia, conferindolhes uma aparência distintiva e encantadora. Geralmente variam de 30 centímetros a um metro
de altura e são adornados com roupas coloridas e detalhadas, refletindo a criatividade e o cuidado
dos artesãos que os criam. A manipulação dos mamulengos é uma arte que requer habilidade e
destreza. Os mamulengueiros dominam técnicas específicas que lhes permitem controlar com
precisão os movimentos dos bonecos, utilizando fios ou varas estrategicamente conectados a
diferentes partes do corpo. Essa manipulação habilidosa dá vida aos personagens, permitindolhes expressar uma ampla gama de emoções e interagir com o público de forma envolvente.
Uma característica marcante do mamulengo é a sua ligação com as raízes africanas da
cultura brasileira. Durante o período colonial, os escravos africanos trouxeram consigo tradições
teatrais que foram incorporadas e adaptadas ao contexto brasileiro. Essas influências africanas
são evidentes no estilo de manipulação dos mamulengos e nas histórias que são contadas através
deles.

Ao longo dos séculos, o teatro de mamulengos passou por um processo de evolução
contínua. Novos personagens foram introduzidos, novas técnicas de manipulação foram
desenvolvidas e as narrativas se tornaram mais complexas e sofisticadas. Hoje, o mamulengo
continua a ser uma forma vibrante de expressão cultural, mantendo vivas as tradições e valores
do povo brasileiro.

Além de entreter o público com suas performances cativantes, o mamulengo também
desempenha um papel importante na preservação das tradições culturais e na transmissão de
conhecimento e valores de uma geração para outra. É uma forma de arte que celebra a
criatividade, a imaginação e a diversidade do povo brasileiro, enriquecendo o cenário cultural do
país e encantando audiências de todas as idades.

Ariano Suassuna, grande escritor brasileiro, incorporou elementos dos mamulengos em
várias de suas obras teatrais, destacando-se principalmente em “Auto da Compadecida” e “O
Santo e a Porca”. Em “Auto da Compadecida”, uma das peças mais famosas do autor, os
mamulengos são representados de forma indireta, através dos personagens e da atmosfera geral
da obra. A peça retrata o cotidiano do Nordeste brasileiro e sua cultura popular, incluindo
elementos como cantorias, danças e humor típicos dos mamulengos. Já em “O Santo e a Porca”,
Suassuna faz uma abordagem mais direta dos mamulengos. A peça apresenta uma trama repleta
de humor e ironia, onde os personagens interagem de forma semelhante aos bonecos
manipulados dos mamulengos. A atmosfera da peça lembra uma apresentação de mamulengos,
com diálogos rápidos, situações exageradas e um senso de teatralidade marcante.

Em 2015 o mamulengo ganhou uma importante distinção ao ser reconhecido como
patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan). Essa honra culminou na sua denominação unificada como Teatro de Bonecos Popular do
Nordeste, ressaltando sua relevância histórica e cultural não apenas para a região nordestina,
mas para todo o país. Esse reconhecimento oficial destaca a importância do mamulengo como
uma expressão artística única, enraizada nas tradições e na identidade cultural do povo brasileiro.

Em resumo, o Teatro de Bonecos é uma forma de arte rica e diversificada, que atravessa
fronteiras culturais e transcende barreiras linguísticas. Desde os primeiros passos da humanidade
até os dias atuais, continua a encantar e inspirar pessoas de todas as idades, mantendo viva a
tradição de contar histórias através de figuras animadas e performances cativantes.


Fala, fala mamulengo
Vai gracejando prá nos divertir
Fala, fala mamulengo
O mundo inteiro necessita sorrir
No teatro de mamulengo
Nhem, nhem, nhem
Do povão se distrair
Nhem, nhem, nhem
É artista bom de quengo
Gente que faz mamulengo
E também quem sabe rir
Trecho de Mamulengo
Luiz Gonzaga (1980)


REFERÊNCIAS:
https://formasanimadas.wordpress.com/teatro-de-bonecos/bonecos-no-brasil/
https://formasanimadas.wordpress.com/2010/08/09/mamulengo-o-teatro-de-bonecos-popular-nobrasil-fernando-augusto/
https://imaginariobrasileiro.com.br/blogs/news/o-que-e-mamulengo-e-a-distincao-entre-as-marionetes
http://www.mamulengofuzue.com.br/?page_id=7
https://augustobonequeiro.wordpress.com/2007/04/14/historia-do-teatro-de-bonecos/
https://formasanimadas.wordpress.com/teatro-de-bonecos/tecnicas-de-manipulacao/
https://formasanimadas.wordpress.com/teatro-de-bonecos/bonecos-no-brasil/
https://formasanimadas.wordpress.com/2010/08/12/do-teatro-de-bonecos-ao-teatro-de-animacao/
https://formasanimadas.wordpress.com/teatro-de-bonecos/bonecos-no-mundo/
http://www.ibamendes.com/2011/10/suassuna-do-homem-ao-mamulengo.html
https://www.brasilsolidario.org.br/wp-content/uploads/Teatro_Fasciculo4.pdf
https://www.infoescola.com/teatro/marionete/
https://www.infoescola.com/artes/teatro-de-bonecos/
https://bdm.unb.br/bitstream/10483/22309/1/2018_HenriqueDeSiqueiraSilva_tcc.pdf
https://www.infoescola.com/artes/teatro-de-bonecos/

Regras do Concurso:
Pelo menos uma passada, com ou sem instrumentos. Quantos sambas quiser por compositor. Áudio via WhatsApp Letra via WhatsApp Enviarem até dia 31 de maio para o whats (21)997063363
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